O pioneirismo português
A chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, em 22 de abril de 1500, representou mais uma conquista dos portugueses, que já tinham descoberto outras regiões do planeta. Contribuíram para o pioneirismo de Portugal na expansão marítima a unificação do Estado Nacional português, a posição geográfica privilegiada em relação ao Oceano Atlântico e os conhecimentos náuticos, bastante avançados para a época, com destaque para a caravela (invenção exclusivamente portuguesa), a bússola, os portulanos e o astrolábio. Outra importante contribuição para a expansão marítima foi a utilização da pólvora, que colocava os europeus com uma vantagem técnica e psicológica sobre os povos que iriam conquistar.
Foram enormes as dificuldades que os primeiros navegantes enfrentavam devido ao descobrimento das regiões que começavam a ser exploradas. Além disso, existia o medo e a imaginação dos homens mais simples, como marinheiros, para quem o mundo era achatado, e não redondo, como diziam as pessoas mais cultas. Eles temiam encontrar monstros capazes de devorar navios, além de abismo profundo nos quais mergulhariam e de lá não poderiam sair. Por conta de todas essas histórias, o Oceano Atlântico foi apelidado de Mar tenebroso.
A concorrência espanhola a descoberta da América e o Tratado de Tordesilhas.
Os portuguêses conheceram um rival somente em fins do século XV quando a vizinha Espanha começou a fazer concorrência à navegação lusitana com a chegada de Colombo à América. As duas monarquias, então, dividiram o mundo conhecido e desconhecido através do Tratado de Tordesilhas, assinado em 20 de junho de 1494. Segundo ele, haveria uma linha de demarcação que passaria a 370 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde, na África. As terras descobertas que ficassem a leste dessa linha seriam dos portugueses, e as ficassem a oeste pertenciam à Espanha.
Portanto, quando a frota de Cabral aportou na costa do atual estado da Bahia, estava iniciando o processo de dominação de Portugal apoiado no Tratado de Tordesilhas.
A expansão Marítima Portuguesa
1415 tomada de Ceuta no norte da África.
1418 - 32 Ocupação das ilhas de Açores, com a introdução do sistema de Capitanias hereditárias.
1434 Gil Eanes dobra o Cabo Bojador.
1460 Descoberta das ilhas de Cabo Verde.
1482 Diogo Cão atinge a Foz do Rio Zaire.
1486 D. João II organiza duas expedições para o Índico: Uma terrestre, comandada por Pero de Covilha, e outra marítima, comandada por Bartolomeu Dias.
1488 Bartolomeu Dias dobra o Cabo da Boa Esperança.
1498 Vasco da Gama atinge Calicute, na costa oeste da Índia.
1500 Cabral oficializa a posse sobre o Brasil.
Os indígenas que Habitavam o Brasil
primeira missa no Brasil Victor meirelles
Os primeiros contatos entre os portugueses e os índios despertavam a curiosidade dos dois lados. Para o índio, aqueles homens eram diferentes, de pele branca, com roupas pesadas e belos enfeites. Por sua vez, os europeus viam os nativos como uma mistura de encantamento e horror.
Os indígenas começaram a tomar conhecimento da fé dos portugueses ao assistirem a Primeira Missa, rezada por Frei Henrique, de Coimbra, em 26 de abril de 1500. A cruz foi plantada no solo do novo domínio português, que recebeu o nome de ilha Vera Cruz. Logo depois de realizada a missa, a frota de Cabral rumou para a Índia, seu objetivo final, mas enviou um dos navios de volta a Portugal com uma Carta de Pero Vaz de Caminha informando ao Rei sobre a conquista das novas terras.
A carta é o primeiro registro que se tem sobre as populações indígenas e as caractésticas naturais do novo domínio. Caminha escreveu: "Os habitantes de Vera Cruz são muito saudáveis, não usam roupas e desconhecem, ao que se apurou até agora, animais domésticos."
Não se saber o número exato de índios que viviam aqui na época do "Descobrimento". Existiam grupos variados, muitos espalhados pelo território que hoje chamamos de Brasil, mas os registros deixados pelos europeus não são muitos precisos. Eles costumavam classificar os indígenas de acordo com a língua usada pelos grupos: Tupi - Gurani ( que habitavam praticamente todo o litoral do Brasil) e os Tapuia, nome dado pelos Tupi - Guarani aos outros grupos indígenas e aproveitamento pelos missionários portugueses. Os Tapuia habitavam principalmente regiões do interior do Brasil. De uma maneira geral, os índios do primeiro grupo tinham como característica: a divisão sexual do trabalho, o uso da coivara (queimadas para preparar a terra para o plantio) e os costumes de fazerem trocas rituais, sem constituir um comércio propriamente dito.
Ritual Antropofágico
A aldeia Tupi - Guarani era, em geral, formada por pelo menos quatro tapas feitas de palha, com tetos arredondados, dispostas em torno de um pátio central e cercada por uma paliçada. Em cada taba viviam várias famílias que usavam o mesmo fogo para cozinhar e que dormiam em redes.
A guerra tinham importante função para os grupos indígenas. As diversas tribos Tupi - Guarani viviam em luta uma com as outras, mas costumavam fazer alianças entre si. Também lutavam contra tribos de outros ramos indígenas, como por exemplo os Aimoré, do grupo Jê. Outros pontos importante da guerra era o ritual do canibalismo: um prisioneiro ficava durante certo tempo na aldeia de seus inimigos até ser sacrificado, quando cada membro da tribo comia um pedaço do seu corpo. Tudo por que os índios achavam que, devorando o inimigo, ficariam com sua força espiritual e com sua coragem. Esse hábito, com certeza, foi o que mais impressionou os europeus, que não entenderam a ideía do ritual e mais do que nunca passaram a ver os índios como bárbaros.
Mulheres em ritual antropofágico.





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